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quarta-feira, 17 de julho de 2013

6 DIAS - 1º Capítulo

Essa é uma ideia que venho desenvolvendo há um tempo...Essa é parte do 1º Capítulo de um livro que se chamará 6 dias.
                                                                      ............



"Poc!... Poc!Poc!Poc! Abriu os olhos vagarosamente com o estranho som estralando um pouco acima de onde estava. Estariam jogando pedras no telhado? Não, estava muito alto para que as pedras o alcançassem... Então o que poderia ser? Levantou-se, estralando os ossos do corpo em uma forte espreguiçada. Destravou a porta de aço que trancava a casa de máquinas e empunhou um cano, de mais ou menos o tamanho da sua perna. Precisava estar preparado. Sempre. Nunca podia contar com a sorte, mas naquele instante, poderia contar sim. Uma brisa fresca e umedecida tocou-lhe a face. A pouca luz da tarde nublada apenas ofuscou seus olhos. Estava chovendo granizo. Gelo! Como uma criança ao receber um tão esperado presente, simplesmente correu para ver o sistema de chuva que havia criado e juntou o máximo de baldes no piso de piche do telhado. Voou para a casa de máquinas e pegou um molho de chaves. Apanhou uma mascara anti-gazes e disparou em direção a porta que dava acesso ao mezanino, protegendo a cabeça, contra as pedras que caiam ferozmente. Lembrou-se de quando era criança, e certa vez, junto com os amigos, brincava de trenó sobre a fina camada de pedras de gelo que se formava rente a rua e a calçada, fazendo-os deslizarem e patinarem. Usavam um velho banco de plástico como tréno, que haviam achado em um terreno baldio perto de onde moravam. Boas lembranças. Sentia falta disso, sentia falta de uma vida normal.
Destrancou a porta de acesso as escadas, ajeitou a mascara no rosto e ainda empunhando o pedaço de cano, adentrou no mezanino. Já conhecia o lugar de cor e salteado, e mesmo no escuro, atravessou a sala repleta de máquinas de ar-condicionado, filtros e banhos-marias que preenchiam o lugar e jaziam como máquinas velhas e abandonadas. Com pelo menos quatro chaves, destrancou os cadeados de mais uma porta e já estava no último andar do hospital. Precisava ser cauteloso agora. Sabia que mesmo depois de ter levado quase dois meses para “limpar” o lugar, um deles podia ainda estar escondido por ali. Passou pelos corredores e uns passos, mas a frente parou em frente à porta do elevador abrindo-a, revelando um calor abafado e apenas os cabos que o conduzia. Esfregou as mãos na já surrada calça jeans, prendeu o cano no cinto e pulou agarrando um dos cabos. Ao fazer isso, talvez pelo impulso, o cano deslizou da calça indo parar a alguns metros abaixo, ricocheteando nas paredes, fazendo um barulho imenso, parando no teto do elevador uns dois andares abaixo. Merda! Merda! Merda! Se alguns deles estivessem ali, logo correriam em direção ao barulho, isso era o que faziam de melhor. Agora tinha que ser mais rápido ainda. Desceu então o mais rápido que pode e logo alcançou o cano. Baixou com os coturnos que usava o mais suave possível na parte de cima do elevador e esperou atentamente, por qualquer tipo de aproximação. Contou mentalmente que pelo menos três minutos haviam se passado e decidiu seguir seu destino. Abriu a saída superior de emergência e em um pulo estava dentro do cubículo que era o elevador. Nesse a porta já se encontrava escancarada, e logo a frente, ao fundo do corredor podia ver seu destino, uma máquina de refrigerantes da PEPSI. Empunhou o cano e seguiu.
Pelas janelas quebradas por uma guerra insana, podia ver o tempo fechando cada vez mais. As pedras de gelo já não eram tantas caindo, e em seus lugares, pingos grossos de água anunciavam a imensa chuva. Passou por leitos e salas operacionais abandonadas. As paredes do corredor, ainda mostravam a o terror que deveria ter ocorrido ali. Manchas de sangue, marcas de balas, fios cortados, aparelhos e móveis queimados, denunciavam a matança daquele lugar. Tentou não lembrar-se do que ocorrera ali e apressou os passos. Sua mente, talvez até mesmo por instinto e pela luta de sobreviver, havia apagado uma série de lembranças que poderiam impedi-lo de continuar vivo. Às vezes sonhava com alguns momentos, mas esses sonhos nunca eram lembrados quando acordava. Em sua memória, restava apenas as raízes de um amor há muito tempo partido. Às vezes lutava para entender tudo aquilo. Tinha medo de descobrir a verdade. De saber que todos estariam mortos. Não agüentaria saber que tinha perdido as pessoas que estavam na sua vida.
 A máquina era grande, bastaria apenas abrir o cadeado e pegar algumas latinhas. Sua boca ansiava por sentir aquele sabor novamente, entre todos os sabores que se lembrava dos refrigerantes, o da PEPSI ainda era o melhor. Retirou o molho de chaves e começou a usar as que não estavam marcadas. Uma, duas, três, oito chaves e nenhuma delas abria o maldito cadeado. Não queria ter que arrebentar o cadeado, já havia feito barulho demais ao descer pelo fosso do elevador. E agora? Tinha a oportunidade de matar a vontade de tomar um refrigerante, mas correria o risco de ser atacado. Pensou bem sobre isso e... Foda-se! Apertou o ferro frio nas mãos e com apenas um golpe, atingiu o cadeado da máquina, fazendo com seus pedaços se espalhassem pelo corredor. Destravou a porta, pensando que o barulho não havia sido tão alto e sorriu ao ver que na máquina ainda havia bastantes latas de refrigerante. Colocou pelo menos três latas em cada bolso frontal da calça e fechou a porta. Suspirou, logo estaria sentido o gosto da bebida daquelas latas. Arrumou-se e empunhou novamente o cano. Tinha que voltar mais rápido agora, a chuva havia aumentado, e logo as pedras de gelo estariam derretidas. Seu plano falharia se demorasse, e então apertou os passos na direção do elevador. Ao passar pela porta de acesso as escadas, ouviu um ruído. Como algo se arrastando ou puxando outra coisa, mas que começava a aumentar o ritmo. Era um deles, tinha certeza. Correu em direção à porta quebrada, mas antes de alcançar o elevador, viu aquela violentada pessoa aparecer entre as portas de acesso a escada. Parecia ser um homem de uns trinta e poucos anos, e a julgar pela sua roupa em péssimo estado, deveria ter sido um executivo, ou uma profissão que o fizesse usar terno e gravata. O barulho de arrastamento se dava por que preso as costas do homem, havia um gancho de carne preso a uma corrente, que deveria ter sido colocado ali, talvez na esperança de contê-lo. Sob sua pele acinzentada e as mais diversas marcas em seu corpo, era possível ver sinais de luta, ele deve ter resistido muito antes de “morrer”. No que sobrara do terno, nos cortes a carne ainda pendia dilacerada e em seu braço direito podia se ver os músculos partidos e mastigados, levando a crer que através dessa ferida é que tinha sido transformado. O homem, o que restara dele soltou um grunhido e correu em sua direção, fazendo-o apertar o cano ainda mais nas mãos. Mal o ser aproximou-se e o cano zuncou no ar em direção ao crânio carcomido da criatura, que se partiu, feito casca de ovo, espalhando os miolos e tufos de cabelos por todos os lados. Estava feito, mas precisava sair dali rápido, já podia escutar outros subindo pela escada, grunhindo pela sua carne.
Em um pulo atingiu a saída superior de emergência, deixando uma das latinhas para trás. Fechou-a em tempo de ver os outros chegarem desastrosamente, preenchendo o elevador com seus corpos podres e em pedaços. Começou subir pelos cabos de aço, ouvindo as batidas contra a estrutura do elevador. Junto a esses sons, os estalos dos freios iam aumentando conforme o peso lá embaixo aumentava. Já podia ver a porta de saída do andar logo acima, mas antes de atingi-la, um ruído forte tomou conta do fosso. O elevador iria cair! Respirou todo o ar que podia e pulou em direção a beirada da porta, agarrando-se com força e batendo as pernas na parede empoeirada do fosso. Os cabos começaram a tremer, as roldanas estremeceram, e depois de um uivo, o quadrado metálico iniciou a sua descida. Pelas contas, iria cair uns trinta metros pelo menos. Esticou a mão e alcançou uma das vigas de construção, fazendo outra latinha cair e ao ver isso, viu também o elevador espatifando-se no fosso, levantando uma imensa nuvem de poeira. Nem queria imaginar o estado daqueles mortos no elevador, pois saberia que os que não tiveram seus crânios esmagados ou perfurados de alguma maneira, ainda estariam vivos com seus corpos destruídos, tentando se movimentar de alguma forma. Respirou fundo e escalou a altura que faltava para atingir o último andar. Correu, e logo já estava trancando novamente a porta de acesso ao mezanino, enquanto a chuva pesada lhe castigava o corpo. Se fosse há algum tempo atrás estaria esbravejando contra a chuva que molhava sua roupa, lhe atrasando a chegada ao trabalho ou em casa, mas hoje, a chuva só lhe traria coisas boas.
Verificou os baldes e ficou feliz ao ver que muitas pedras de gelo ainda estavam lá, e umas de tamanho até mesmo de punhos fechados. Carregou os baldes para uma área coberta e despejou a água gelada em outros baldes vazios, mas sem deixar as pedras de gelo caírem. Nessa mesma área, haviam quatro conservadores de tamanho médios virados. Deixou os baldes no piso e abriu um dos conservadores despejando as pedras de gelo em seu interior. Retirou as quatro latinhas que sobrara da sua aventura e jogou-as sob o gelo. Fechou o conservador e no outro, retirou um tubo de sabonete. Iria tomar um banho, sem precisar depender do sistema de retenção que havia montado, economizando água. Sentou na porta do equipamento e despiu-se. Foi para o meio da cobertura e mesmo com água gelada, banhou-se. A chuva forte parecia lavar sua alma, levando consigo tudo de ruim que já havia acontecido até ali, mas sabia que isso não era verdade. Ficou um tempo ali parado, nu diante da cidade, coberta por um véu cinza da chuva, imaginando o começo de toda aquela loucura. Imaginava se todo aquele apocalipse não era culpa do próprio homem ou a vingança de Deus. Lembrou-se também de um filme, “Legião” deveria ser o titulo, onde Deus, descontente com a humanidade, havia decidido aniquilá-la. No filme, o dilúvio tinha sido a Sua primeira escolha, nessa segunda investida, Deus mandou seus anjos em forma de exercito acabar com seus próprios filhos. Antes fosse pelo menos ainda teriam tempo de pedir por piedade. Saiu na chuva e em outro conservador retirou uma toalha enxugando-se. Enrolou ela na sua cabeça e correu para a casa de máquinas.  Vestiu outra calça e uma camisa folgada de flanela. Calçou um par de chinelos e retirou um guarda-chuva de um armário. Retornou a cobertura e retirou duas latinhas de PEPSI do conservador. Antes e abrir a primeira, ficou encarando a lata azulada, como se ela fosse suplicar para não ser violada. Riu ao pensar assim e logo puxou o anel, escutando aquele barulhinho que faz ao ser aberta. Sorveu um longo e gelado gole. Podia até mesmo jurar que sentia vontade de chorar, por que sentia falta de fazer isso normalmente. Sentia falta de muitas coisas. De muitas pessoas. Da vida normal e confusa da capital. Mas em sua mente, sentia que lhe faltava uma peça muito importante daquele quebra-cabeça apocalipitico.
Tentou lembrar-se de alguma musica com chuva, mas só a Riders On The Storms, dos Doors lhe veio à cabeça. Cantarolou a música desejando muito ter um rádio que funcionasse, ou qualquer outro aparelho que pudesse reproduzir som. Não era um consumidor daqueles que comprava tudo o que via tudo o que estava na moda, mas também não gostava de ficar atrás das últimas tecnologias. Atualizava-as. Era isso o que fazia quando lhe perguntavam o porquê de ter comprado tais aparelhos. Outro motivo era devido ao emprego que tinha que lhe exigia estar atualizado, antenado ao mundo moderno. Bebeu o último gole da latinha e a jogou contra a chuva. Suspirou e abriu a outra. Era o que tinha de melhor agora dentre todas as coisas que já havia perdido. Olhou a sua volta e desejou ter um pouco de energia pra ligar algumas coisas que havia encontrado em suas buscas. Notebooks, alguns celulares, aparelhos domésticos e alguns outros tipos de utensílios. Mesmo desejando isso, se pegava às vezes pensando em como o homem era fútil em querer essas coisas e esquecer-se de outras ainda mais importantes. Como no final, no inferno, essas coisas não importavam mais. Estava vivo, era o que importava, e agora tinha tempo para enxergar as outras coisas, tempo não tinha quando todas essas coisas funcionavam.
A chuva não havia diminuído, parecia querer lavar toda a destruição, toda a bagunça em que o mundo se encontrava. Arrumou os colchonetes perto da sala de manutenção, verificou mais uma vez a porta e decidiu ir dormir. Amanhã, não sabia se era dia 13 ou 14, teria que sair pra buscar alimentos e seria um dia difícil.


O sol brilhava forte, já bem longe do horizonte quando acordara. Dormiu demais, pensou, mas daria tempo de sair. Apanhou um pouco de água no sistema e foi escovar os dentes. Às vezes se pegava rindo do que havia feito ali no telhado do hospital. Usava quatro antenas de celular de mais ou menos dois metros e altura, e a dispôs em um quadrado com as mesmas proporções. Usando uma lona plástica, prendeu cada ponta nas partes mais altas das antenas e montou uma barraca invertida. Ainda nas pontas, prendeu um imenso lençol, para servir de filtro contra fezes de pássaros e insetos, e na barriga que se formara, fez alguns furos, por onde a água fluíra. Pelas suas contas, teria água por mais duas semanas no mínimo, e com sorte, até lá, choveria mais. Lembrou dos diversos filmes e séries que pipocavam na época e antes daquela desgraça toda acontecer. Adorava debater com os amigos e ouvir os podcast que falavam sobre o assunto. Nesses momentos lembrava-se do amigo Thiago. O que seria do amigo? Não se lembrava muito bem dá última vez em que o vira, apenas que estavam em seu carro indo pra casa. Uma nuvem negra parecia lhe cobrir os pensamentos."


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Escuridão





Escuridão. Meus olhos pesam, neles só enxergo a avermelhada escuridão da minha pele. Minha boca está seca. Meus lábios parecem explodir de tão secos... Quanto tempo estou aqui? Onde estou? Eu não sei... Eu simplesmente não sei... Meus braços estão amarrados. Minha pele sente o calor do Sol, mas ele está bem baixo. O vento parece sussurrar a própria morte em meus ouvidos. Estou descalço, sinto a grama entre meus dedos. Na nuca, sinto a casa dura da árvore onde estou preso. Preso? Preciso sair daqui! Preciso sair daqui!
O tempo parece caçoar da minha dor. A natureza ao meu redor ri da minha angustia. Aos poucos, bem devagar, consigo abrir os olhos. A luz azulada da lua cheia parece rasgar minhas pálpebras. Estou realmente preso a uma árvore. No horizonte, vejo as luzes da cidade bruxelando com a leve brisa noturna. Não há ninguém por perto. Não há nada por perto.
Respiro com dificuldade. Tento organizar meus pensamentos e descobrir como vim para aqui. Alias quem me prendeu aqui. Não sei que horas são e nem que dia que é. O tempo parece se arrastar aqui. Minha alma parece se arrastar aqui. Tento soltar meus braços, mas não tenho forças. Estou acabado. Ô Deus, como cheguei a isso? Parece não adiantar nada que eu faça, nada que eu tente... Tenho que esperar para que alguém apareça e me solte, ou me mate! Que desespero!
Tento manter a calma. Exalo o ar frio que abraça a noite. Olho para cima, e entre as folhagens, vejo Lua Cheia, dominando o céu negro, mas então, a leve brisa parece tomar vida. As folhas se agitam e tão rápido como começaram, elas param. Devo estar delirando a esse ponto, pois posso jurar que no meio desse vento, escuto uma respiração. Caçoo do meu próprio medo. E Novamente ouço esse sussurro. Tento falar algo, mas minha boca e garganta estão secas demais. Meu Deus e se eu morrer?
Tento novamente soltar meus braços, mas meu esforço é em vão. Já até posso sentir o sangue escorrendo em meus pulsos. Reencosto a cabeça no tronco da árvore, exausto por tentar, e em meio as minha já exaurida respiração, sinto um doce aroma. Era como se estivesse diante de um imenso vaso de rosas, regadas a absinto puro. Meu coração acelera,minha boca seca mais ainda. O vento varre meus pensamentos e diante de mim, como uma sombra, surge o vulto de uma mulher.  De onde estou só posso ver seus contornos, e ela é linda. Parece andar em minha direção, mas ao mesmo tempo, seus pés parecem nem tocar o solo. Tento mais uma vez pedir ajuda, mas dessa vez posso ver claramente suas mãos tocarem seus lábios e pedir sinal de silêncio. Ela se aproxima.
Sob a Lua Cheia, seus cabelos vermelhos parecem estar em chamas, como brasas de uma fogueira aconchegante. Seus olhos, de um castanho sem igual, parecem consumir minha alma. Sua boca é carnuda e parece estar molhada. Ela estava nua. Seus seios apontavam em minha direção, como se me acusassem de olhá-los. Seu quadril gingava sensualmente, enquanto suas coxas ora descobriam, ora cobriam seu sexo desnudo. Em poucos segundos, que mais pareciam uma eternidade par mim ela se aproximou. Com a ponta dos dedos frios, tocou meu pescoço, tateando cada parte dele. Sua pele era bem clara e parecia azulada com o luar. Ela ergueu-se nas pontas dos pés e veio em direção a minha boca, tocando meus lábios rachados com sua língua. Estremeci. Minha cabeça girava o ar, que tampouco me era agradável, parecia me faltar. Meus pensamentos a essa altura já estavam completamente desordenados, diante de tanta sensualidade.
Suas mãos pequenas agora desciam pelo meu tórax, parecendo procurar uma fraqueza a explorar, mas eu já estava totalmente fraco. Logo, estavam dentro de minha calça, me alisando. Distanciou-se de meu corpo por um instante e olhou nos meus olhos, me hipnotizando ainda mais. Como um animal a atacar sua presa, voltou-se para o meu corpo e a beijá-lo loucamente. Completamente tomado e domado, me entreguei de vez aos seus caprichos. Suas unhas marcavam minha pele, seus seios tocavam minha face enquanto cavalgava loucamenteem meu sexo. Seu corpo frio se agitava freneticamente, e ao atingir o ápice daquele ato, tocou os seios, como se não fosse deixar aquele imenso orgasmo fugir de seu corpo. Então, baixou a cabeça, respirando ofegantemente, com os cabelos cobrindo-lhe os olhos castanhos, que pareciam brilhar. Devagar, brincou com meu peito, subindo até meu rosto, contornando minha boca. E ainda em cima de mim, colocou a cabeça para trás e a voltou rapidamente, debruçando sobre meu pescoço.
Uma pontada, uma fagulha de dor, uma dilaceração da minha alma, foi o que senti quando seus dentes afiados rasgaram minha pele. Uma enxurrada de pensamentos varreu minha alma e em instantes, eu entendi tudo. Naquele momento eu sabia por que estava ali. A cada batida do meu coração, a cada sugada que aquela mulher dava em meu sangue, via que tudo, absolutamente tudo o que já havia vivido não tinha valido a pena. Meu sangue deixava meu corpo, enquanto aquele lindo ser o tomava. Minha ante vida esvaziava-se em seus lábios e aos poucos, meu coração desacelerava, minha visão se entorpecia, minha mente deteriorava em fragmentos de pensamentos e sensações. Eu estava morrendo... Mas aquela mulher, que agora parecia saciada, me olhava profundamente enquanto sentia a vida esvair-se de meu corpo. Mente limpa, a alma parecia sair do corpo, quando que com os próprios dentes, rasgou seu pulso deu-me de beber, o próprio sangue. Aquele líquido morno fez tremer minha língua e logo todo o meu corpo. Meus olhos queimaram como se estivessem sendo penetrados com mil agulhas. E tudo escureceu...

Como se estivesse saindo de um imenso lago negro, louco por ar, sai daquela escuridão. Estava vivo, livre das cordas que prendiam meus braços. Minha pele estava pálida, meus caninos pontiagudos. Eu podia ouvir tudo, podia sentir a terra respirando, o ar falando com os animais, à noite amando a Lua Cheia. Podia ver em detalhes, tudo o que uma mente humana é privada de realmente ver, e ao meu lado, estava à misteriosa mulher. Tentei lhe dizer algo, mas tão logo levantei a mão em sua direção, ela sumiu em meio às sombras. O vento sussurrou mais uma vez e no meio de suas vozes, a voz da mulher, como se estivesse dentro da minha mente, tocou o que restou da minha alma... “Você é meu para sempre...”