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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

JANDIRA

Já não era sem tempo. Jandira acordou as 05h00min, tomou um gostoso banho, pôs seu biquíni azul-marinho, juntou suas coisas e foi para praia. Não queria ter vindo naquela viagem com a irmã e os amigos. Não que não gostasse da irmã, que junto aos amigos eram intelectuais de primeira, às vezes (quase sempre) esqueciam-se que fora do mundinho deles, havia outro mundo onde as pessoas deveriam ser respeitadas. Jandira odiava esse apelo em fazer parte dessa sociedade de narcisistas em que vivia, e as vezes, praguejava a própria mãe, por não entender o que ela sentia. Jandira era diferente, conseguia sentir, enxergar um outro mundo e lutava pra isso, mas, mesmo tendo 19 anos, não conseguia sair desta “prisão” imposta pela mãe. Mas isso tudo até aquele dia, aquela manhã de sábado. A praia estava á poucos metros do apartamento em que estava. Logo, seus pés tocaram os finos e frios grãos de areia. Escolheu um bom lugar, estendeu sua canga e sentou-se ali, de costas para um pequeno rochedo na praia. Ligou seu MP3 e ouvindo sua música preferida: Incubus-Drive, começou a olhar para o horizonte. Como era lindo o amanhecer. Gostava muito de poder ser como o amanhecer, um acontecimento que todos admiravam e acreditavam. Gostaria de ser como o sol, brilhar para todos e fazer todos se iluminarem. Jandira espirou fundo, aquilo era amargurante. Nem mesmo tinha com quem conversar. Desejava muito também encontrar alguém pra compartilhar seus sentimentos e lhe dar conforto.
Minutos se passaram, uma hora talvez, o primeiro trecho do sol despontou sob as águas do mar, que estava bem calmo. Fitou mais uma vez o horizonte e estranhou aquilo. Um ponto preto começou a emergir nas águas vagarosamente. Um vulto começou a se formar, um homem. Sentiu um medo intenso, um arrepio percorrer-lhe a espinha. Como aquele homem poderia estar saindo da água? Já estava há muito tempo ali, e não tinha visto mais ninguém, nenhuma embarcação, nada. Estava tremendo de medo. O homem parecia vir em sua direção. Era difícil ver seu rosto, sua face. Apenas sua silhueta era visível, pois o sol já emanava seus raios do horizonte. Tentou se levantar, mas estava paralisada de medo e curiosidade. Jandira estava estarrecida. Como aquele homem poderia estar saindo da água, se não o tinha visto entrar? Aos poucos já era possível ver sua feição. Seus cabelos eram lisos, longos e escorridos. Apesar de ter um estranho tom claro de pele, estava bastante queimado pelo sol. Seus olhos eram de um azul que facilmente a fazia lembrar-se do azul da cor do mar. Tinha uma aparência jovem, de um adulto bem formado, mas ao mesmo tempo parecia-lhe olhar como uma criança. Com certa dificuldade, Jandira se levantou. Tentou correr, mas fora o medo que a segurava, uma forte mão a segurou pelo ombro.
- Não tenha medo...
Sua voz roupa e descompassada entrou em seu ouvido a acalmando, quase que por hipnose. Jandira virou-se e encarou-o. Seu coração parecia não bater. Sua respiração parecia parada no tempo. Institivamente, ela sabia o que era aquilo o que estava sentindo.
- Eu vim pra ajudar você.
Jandira apenas concordou com a cabeça. Aquele homem, estranho mesmo assim, agora lhe transmitia uma calma, uma paz avassaladora. Ela estava rendida a ele. Olhou fundo em seus olhos azuis, como eram lindos. Tentou falar algo, mas a mão do estranho tocou-lhe os lábios em sinal de silêncio. Estava seduzida por ele. Logo, seus lábios se encontraram, aquilo era loucura. O estranho tocava seu corpo com uma ternura sem igual, nunca tinha sentido algo parecido. Em questão de minutos, antes mesmo de o sol aparecer completamente no horizonte, Jandira estava fazendo amor com um estranho na praia...
Acordou assustada. Estava rodeada pela irmã e pelos amigos. Já estava no apartamento e estavam todos preocupados. Pois segundo eles, Jandira havia sumido a manhã toda, e só foi encontrada perto do meio-dia, desmaiada em baixo de umas árvores, do outro lado da faixa litorânea. Não se lembrava do que havia lhe ocorrido. Não conseguia se lembrar de quase nada. Em sua mente pousava apenas uma sensação de conforto, paz e muito amor.
O tempo passou. Essa viagem logo foi esquecida, a não ser pelos breves comentários sobre o pequeno sumiço de Jandira. As coisas estavam diferentes, estranhas para ela. Já não sentia tanto aquele desconforto por estar perto de “normais”. Parecia que tudo estava mudando. Mudando para melhor. Era tratada com muito carinho por todos. Não sentia mais aquele certo preconceito por parte das pessoas por ser crítica. Mas seu corpo também estava mudando. Seus seios pareciam mais inchados e maiores. Seus lábios mais carnudos. Já sabia o que estava lhe acontecendo. Mas como? Não se lembrava de ter sumido. Será que tinha sido violentada? Mas não havia qualquer sinal em seu corpo. A sua mãe logo desconfiou. Ao contrário do que pensava, achava que a mãe lhe comeria viva, mas, lhe deu todo o apoio. Todos apoiavam agora. Todos já sabiam que Jandira estava à espera de um bebê.
Seis, sete, oito meses se passaram. Jandira estava linda, era a gestante mais bela da região. Diferente de outras mulheres, Jandira não sentia desejo por nada. Pelo contrário, comida de tudo sem reclamar. O que mais chamava a atenção, é que ela, bebia quase dez litros de água por dia. Os exames médicos apenas serviram para comprovar que o bebê era também o mais sadio dos últimos tempos.
Nono mês, Jandira sabia, seu corpo sabia. Daquele mês de março não passaria. Já tinha até escolhido o nome do bebê. Se fosse uma menina, iria se chamar Marina, e se fosse um menino, o nome escolhido seria o de Nereu.
Neste mesmo mês de março, como já era tradição na família, todos se reuniam em um sítio no interior do Estado, para comemorar o aniversário da avó. Na festa todos a admiravam. Estava linda.
No sítio, muito bem equipado por sinal, até piscina havia. Todos estavam se divertindo muito, inclusive D. Mafalda que no auge de seus 80 anos, ainda nadava muito bem. Jandira olhava pra tudo aquilo com grande admiração, pois, há quase um ano atrás, pode jurar que sentia os olhares preconceituosos de seus próprios parentes. Simplesmente estava feliz.
O dia estava lindo ensolarado. Logo cedo, os primos e primas menores invadiram a piscina, transformando-a em imenso parque aquático de diversões. Então, sentiu uma pontada. Um chute do bebê? Não, uma leve dorzinha, que aos poucos, foi aumentando, juntamente com uma sede inexplicável. Levantou-se e foi para a cozinha. Parou em frente à geladeira, e em um gole só tomou quase dois litros de água de uma só vez. A dor não passou. Um estranho calor começou a subir-lhe pelo corpo. Precisava refrescar seu corpo. Saiu da cozinha, e foi para o quintal. A dor aumentava cada vez mais. O calor também. Será que estava chegando o momento? Antes que qualquer um dos parentes pudessem ver, Jandira despiu-se ficando apenas a calcinha, e se jogou na piscina. Todos pararam. O pai e um tio de Jandira largaram o que faziam e pularam logo atrás da garota.
- Filha! Jandira! Você está bem? Vamos sair daqui, esta água pode fazer mal a vocês.
Jandira relutava. Estar ali era refrescante, a dor sumia.
- N-não pai, eu não quero sair. E-eu estou bem.
- Jandira você está ficando louca?
- Por favor, pai, eu só quero que este calor passe.
Jandira agarrou-se aos ombros do pai, e antes que pudesse dizer algo mais, desmaiou. Seu pai quase entrara em desespero, e ao tentar retirar a filha da água, percebeu que ela estava sangrando.
- Pelo amor de Deus, alguém me ajude!  - Gritou o pai desesperado, tentando ser acalmado pelo tio.
Dona Mafalda vendo aquilo, livrou-se da conversa entre as mulheres e dirigiu-se rapidamente a piscina.
- Não a tirem d’água. Não a tirem daí. A senhora simplesmente se jogou na água, pedindo para que seus dois filhos não retirassem a neta da piscina.
- Mãe a senhora ta louca?
- Não, ela vai ter o bebê aqui mesmo, vou fazer o parto!
- Eles vão se afogar! Eles vão se afogar! – Pai de Jandira já estava desesperado. Amava sua mãe, mas aquilo já era loucura.
- Se os dois saírem d’água agora, podem morrer.
Finalmente, os dois irmãos consentiram, e obedecendo a mãe idosa, seguraram Jandira pelas pernas e braços.
Logo, a água tingiu-se de vermelho. Dona Mafalda, segurando o que parecia ser a cabeça do bebê, se assustou com aquilo. A criança foi saindo aos poucos. Jandira continuava desacordada, e não expressava estar sentindo nenhuma dor. Aquilo era estranho, o bebê não estava ligado a Jandira por um cordão umbilical, simplesmente não havia um. E antes que a avó pudesse segurar seu bisneto, a criança escorregou de suas mãos e nadou na piscina como se fosse seu habitat natural.



quarta-feira, 17 de julho de 2013

6 DIAS - 1º Capítulo

Essa é uma ideia que venho desenvolvendo há um tempo...Essa é parte do 1º Capítulo de um livro que se chamará 6 dias.
                                                                      ............



"Poc!... Poc!Poc!Poc! Abriu os olhos vagarosamente com o estranho som estralando um pouco acima de onde estava. Estariam jogando pedras no telhado? Não, estava muito alto para que as pedras o alcançassem... Então o que poderia ser? Levantou-se, estralando os ossos do corpo em uma forte espreguiçada. Destravou a porta de aço que trancava a casa de máquinas e empunhou um cano, de mais ou menos o tamanho da sua perna. Precisava estar preparado. Sempre. Nunca podia contar com a sorte, mas naquele instante, poderia contar sim. Uma brisa fresca e umedecida tocou-lhe a face. A pouca luz da tarde nublada apenas ofuscou seus olhos. Estava chovendo granizo. Gelo! Como uma criança ao receber um tão esperado presente, simplesmente correu para ver o sistema de chuva que havia criado e juntou o máximo de baldes no piso de piche do telhado. Voou para a casa de máquinas e pegou um molho de chaves. Apanhou uma mascara anti-gazes e disparou em direção a porta que dava acesso ao mezanino, protegendo a cabeça, contra as pedras que caiam ferozmente. Lembrou-se de quando era criança, e certa vez, junto com os amigos, brincava de trenó sobre a fina camada de pedras de gelo que se formava rente a rua e a calçada, fazendo-os deslizarem e patinarem. Usavam um velho banco de plástico como tréno, que haviam achado em um terreno baldio perto de onde moravam. Boas lembranças. Sentia falta disso, sentia falta de uma vida normal.
Destrancou a porta de acesso as escadas, ajeitou a mascara no rosto e ainda empunhando o pedaço de cano, adentrou no mezanino. Já conhecia o lugar de cor e salteado, e mesmo no escuro, atravessou a sala repleta de máquinas de ar-condicionado, filtros e banhos-marias que preenchiam o lugar e jaziam como máquinas velhas e abandonadas. Com pelo menos quatro chaves, destrancou os cadeados de mais uma porta e já estava no último andar do hospital. Precisava ser cauteloso agora. Sabia que mesmo depois de ter levado quase dois meses para “limpar” o lugar, um deles podia ainda estar escondido por ali. Passou pelos corredores e uns passos, mas a frente parou em frente à porta do elevador abrindo-a, revelando um calor abafado e apenas os cabos que o conduzia. Esfregou as mãos na já surrada calça jeans, prendeu o cano no cinto e pulou agarrando um dos cabos. Ao fazer isso, talvez pelo impulso, o cano deslizou da calça indo parar a alguns metros abaixo, ricocheteando nas paredes, fazendo um barulho imenso, parando no teto do elevador uns dois andares abaixo. Merda! Merda! Merda! Se alguns deles estivessem ali, logo correriam em direção ao barulho, isso era o que faziam de melhor. Agora tinha que ser mais rápido ainda. Desceu então o mais rápido que pode e logo alcançou o cano. Baixou com os coturnos que usava o mais suave possível na parte de cima do elevador e esperou atentamente, por qualquer tipo de aproximação. Contou mentalmente que pelo menos três minutos haviam se passado e decidiu seguir seu destino. Abriu a saída superior de emergência e em um pulo estava dentro do cubículo que era o elevador. Nesse a porta já se encontrava escancarada, e logo a frente, ao fundo do corredor podia ver seu destino, uma máquina de refrigerantes da PEPSI. Empunhou o cano e seguiu.
Pelas janelas quebradas por uma guerra insana, podia ver o tempo fechando cada vez mais. As pedras de gelo já não eram tantas caindo, e em seus lugares, pingos grossos de água anunciavam a imensa chuva. Passou por leitos e salas operacionais abandonadas. As paredes do corredor, ainda mostravam a o terror que deveria ter ocorrido ali. Manchas de sangue, marcas de balas, fios cortados, aparelhos e móveis queimados, denunciavam a matança daquele lugar. Tentou não lembrar-se do que ocorrera ali e apressou os passos. Sua mente, talvez até mesmo por instinto e pela luta de sobreviver, havia apagado uma série de lembranças que poderiam impedi-lo de continuar vivo. Às vezes sonhava com alguns momentos, mas esses sonhos nunca eram lembrados quando acordava. Em sua memória, restava apenas as raízes de um amor há muito tempo partido. Às vezes lutava para entender tudo aquilo. Tinha medo de descobrir a verdade. De saber que todos estariam mortos. Não agüentaria saber que tinha perdido as pessoas que estavam na sua vida.
 A máquina era grande, bastaria apenas abrir o cadeado e pegar algumas latinhas. Sua boca ansiava por sentir aquele sabor novamente, entre todos os sabores que se lembrava dos refrigerantes, o da PEPSI ainda era o melhor. Retirou o molho de chaves e começou a usar as que não estavam marcadas. Uma, duas, três, oito chaves e nenhuma delas abria o maldito cadeado. Não queria ter que arrebentar o cadeado, já havia feito barulho demais ao descer pelo fosso do elevador. E agora? Tinha a oportunidade de matar a vontade de tomar um refrigerante, mas correria o risco de ser atacado. Pensou bem sobre isso e... Foda-se! Apertou o ferro frio nas mãos e com apenas um golpe, atingiu o cadeado da máquina, fazendo com seus pedaços se espalhassem pelo corredor. Destravou a porta, pensando que o barulho não havia sido tão alto e sorriu ao ver que na máquina ainda havia bastantes latas de refrigerante. Colocou pelo menos três latas em cada bolso frontal da calça e fechou a porta. Suspirou, logo estaria sentido o gosto da bebida daquelas latas. Arrumou-se e empunhou novamente o cano. Tinha que voltar mais rápido agora, a chuva havia aumentado, e logo as pedras de gelo estariam derretidas. Seu plano falharia se demorasse, e então apertou os passos na direção do elevador. Ao passar pela porta de acesso as escadas, ouviu um ruído. Como algo se arrastando ou puxando outra coisa, mas que começava a aumentar o ritmo. Era um deles, tinha certeza. Correu em direção à porta quebrada, mas antes de alcançar o elevador, viu aquela violentada pessoa aparecer entre as portas de acesso a escada. Parecia ser um homem de uns trinta e poucos anos, e a julgar pela sua roupa em péssimo estado, deveria ter sido um executivo, ou uma profissão que o fizesse usar terno e gravata. O barulho de arrastamento se dava por que preso as costas do homem, havia um gancho de carne preso a uma corrente, que deveria ter sido colocado ali, talvez na esperança de contê-lo. Sob sua pele acinzentada e as mais diversas marcas em seu corpo, era possível ver sinais de luta, ele deve ter resistido muito antes de “morrer”. No que sobrara do terno, nos cortes a carne ainda pendia dilacerada e em seu braço direito podia se ver os músculos partidos e mastigados, levando a crer que através dessa ferida é que tinha sido transformado. O homem, o que restara dele soltou um grunhido e correu em sua direção, fazendo-o apertar o cano ainda mais nas mãos. Mal o ser aproximou-se e o cano zuncou no ar em direção ao crânio carcomido da criatura, que se partiu, feito casca de ovo, espalhando os miolos e tufos de cabelos por todos os lados. Estava feito, mas precisava sair dali rápido, já podia escutar outros subindo pela escada, grunhindo pela sua carne.
Em um pulo atingiu a saída superior de emergência, deixando uma das latinhas para trás. Fechou-a em tempo de ver os outros chegarem desastrosamente, preenchendo o elevador com seus corpos podres e em pedaços. Começou subir pelos cabos de aço, ouvindo as batidas contra a estrutura do elevador. Junto a esses sons, os estalos dos freios iam aumentando conforme o peso lá embaixo aumentava. Já podia ver a porta de saída do andar logo acima, mas antes de atingi-la, um ruído forte tomou conta do fosso. O elevador iria cair! Respirou todo o ar que podia e pulou em direção a beirada da porta, agarrando-se com força e batendo as pernas na parede empoeirada do fosso. Os cabos começaram a tremer, as roldanas estremeceram, e depois de um uivo, o quadrado metálico iniciou a sua descida. Pelas contas, iria cair uns trinta metros pelo menos. Esticou a mão e alcançou uma das vigas de construção, fazendo outra latinha cair e ao ver isso, viu também o elevador espatifando-se no fosso, levantando uma imensa nuvem de poeira. Nem queria imaginar o estado daqueles mortos no elevador, pois saberia que os que não tiveram seus crânios esmagados ou perfurados de alguma maneira, ainda estariam vivos com seus corpos destruídos, tentando se movimentar de alguma forma. Respirou fundo e escalou a altura que faltava para atingir o último andar. Correu, e logo já estava trancando novamente a porta de acesso ao mezanino, enquanto a chuva pesada lhe castigava o corpo. Se fosse há algum tempo atrás estaria esbravejando contra a chuva que molhava sua roupa, lhe atrasando a chegada ao trabalho ou em casa, mas hoje, a chuva só lhe traria coisas boas.
Verificou os baldes e ficou feliz ao ver que muitas pedras de gelo ainda estavam lá, e umas de tamanho até mesmo de punhos fechados. Carregou os baldes para uma área coberta e despejou a água gelada em outros baldes vazios, mas sem deixar as pedras de gelo caírem. Nessa mesma área, haviam quatro conservadores de tamanho médios virados. Deixou os baldes no piso e abriu um dos conservadores despejando as pedras de gelo em seu interior. Retirou as quatro latinhas que sobrara da sua aventura e jogou-as sob o gelo. Fechou o conservador e no outro, retirou um tubo de sabonete. Iria tomar um banho, sem precisar depender do sistema de retenção que havia montado, economizando água. Sentou na porta do equipamento e despiu-se. Foi para o meio da cobertura e mesmo com água gelada, banhou-se. A chuva forte parecia lavar sua alma, levando consigo tudo de ruim que já havia acontecido até ali, mas sabia que isso não era verdade. Ficou um tempo ali parado, nu diante da cidade, coberta por um véu cinza da chuva, imaginando o começo de toda aquela loucura. Imaginava se todo aquele apocalipse não era culpa do próprio homem ou a vingança de Deus. Lembrou-se também de um filme, “Legião” deveria ser o titulo, onde Deus, descontente com a humanidade, havia decidido aniquilá-la. No filme, o dilúvio tinha sido a Sua primeira escolha, nessa segunda investida, Deus mandou seus anjos em forma de exercito acabar com seus próprios filhos. Antes fosse pelo menos ainda teriam tempo de pedir por piedade. Saiu na chuva e em outro conservador retirou uma toalha enxugando-se. Enrolou ela na sua cabeça e correu para a casa de máquinas.  Vestiu outra calça e uma camisa folgada de flanela. Calçou um par de chinelos e retirou um guarda-chuva de um armário. Retornou a cobertura e retirou duas latinhas de PEPSI do conservador. Antes e abrir a primeira, ficou encarando a lata azulada, como se ela fosse suplicar para não ser violada. Riu ao pensar assim e logo puxou o anel, escutando aquele barulhinho que faz ao ser aberta. Sorveu um longo e gelado gole. Podia até mesmo jurar que sentia vontade de chorar, por que sentia falta de fazer isso normalmente. Sentia falta de muitas coisas. De muitas pessoas. Da vida normal e confusa da capital. Mas em sua mente, sentia que lhe faltava uma peça muito importante daquele quebra-cabeça apocalipitico.
Tentou lembrar-se de alguma musica com chuva, mas só a Riders On The Storms, dos Doors lhe veio à cabeça. Cantarolou a música desejando muito ter um rádio que funcionasse, ou qualquer outro aparelho que pudesse reproduzir som. Não era um consumidor daqueles que comprava tudo o que via tudo o que estava na moda, mas também não gostava de ficar atrás das últimas tecnologias. Atualizava-as. Era isso o que fazia quando lhe perguntavam o porquê de ter comprado tais aparelhos. Outro motivo era devido ao emprego que tinha que lhe exigia estar atualizado, antenado ao mundo moderno. Bebeu o último gole da latinha e a jogou contra a chuva. Suspirou e abriu a outra. Era o que tinha de melhor agora dentre todas as coisas que já havia perdido. Olhou a sua volta e desejou ter um pouco de energia pra ligar algumas coisas que havia encontrado em suas buscas. Notebooks, alguns celulares, aparelhos domésticos e alguns outros tipos de utensílios. Mesmo desejando isso, se pegava às vezes pensando em como o homem era fútil em querer essas coisas e esquecer-se de outras ainda mais importantes. Como no final, no inferno, essas coisas não importavam mais. Estava vivo, era o que importava, e agora tinha tempo para enxergar as outras coisas, tempo não tinha quando todas essas coisas funcionavam.
A chuva não havia diminuído, parecia querer lavar toda a destruição, toda a bagunça em que o mundo se encontrava. Arrumou os colchonetes perto da sala de manutenção, verificou mais uma vez a porta e decidiu ir dormir. Amanhã, não sabia se era dia 13 ou 14, teria que sair pra buscar alimentos e seria um dia difícil.


O sol brilhava forte, já bem longe do horizonte quando acordara. Dormiu demais, pensou, mas daria tempo de sair. Apanhou um pouco de água no sistema e foi escovar os dentes. Às vezes se pegava rindo do que havia feito ali no telhado do hospital. Usava quatro antenas de celular de mais ou menos dois metros e altura, e a dispôs em um quadrado com as mesmas proporções. Usando uma lona plástica, prendeu cada ponta nas partes mais altas das antenas e montou uma barraca invertida. Ainda nas pontas, prendeu um imenso lençol, para servir de filtro contra fezes de pássaros e insetos, e na barriga que se formara, fez alguns furos, por onde a água fluíra. Pelas suas contas, teria água por mais duas semanas no mínimo, e com sorte, até lá, choveria mais. Lembrou dos diversos filmes e séries que pipocavam na época e antes daquela desgraça toda acontecer. Adorava debater com os amigos e ouvir os podcast que falavam sobre o assunto. Nesses momentos lembrava-se do amigo Thiago. O que seria do amigo? Não se lembrava muito bem dá última vez em que o vira, apenas que estavam em seu carro indo pra casa. Uma nuvem negra parecia lhe cobrir os pensamentos."


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Escuridão





Escuridão. Meus olhos pesam, neles só enxergo a avermelhada escuridão da minha pele. Minha boca está seca. Meus lábios parecem explodir de tão secos... Quanto tempo estou aqui? Onde estou? Eu não sei... Eu simplesmente não sei... Meus braços estão amarrados. Minha pele sente o calor do Sol, mas ele está bem baixo. O vento parece sussurrar a própria morte em meus ouvidos. Estou descalço, sinto a grama entre meus dedos. Na nuca, sinto a casa dura da árvore onde estou preso. Preso? Preciso sair daqui! Preciso sair daqui!
O tempo parece caçoar da minha dor. A natureza ao meu redor ri da minha angustia. Aos poucos, bem devagar, consigo abrir os olhos. A luz azulada da lua cheia parece rasgar minhas pálpebras. Estou realmente preso a uma árvore. No horizonte, vejo as luzes da cidade bruxelando com a leve brisa noturna. Não há ninguém por perto. Não há nada por perto.
Respiro com dificuldade. Tento organizar meus pensamentos e descobrir como vim para aqui. Alias quem me prendeu aqui. Não sei que horas são e nem que dia que é. O tempo parece se arrastar aqui. Minha alma parece se arrastar aqui. Tento soltar meus braços, mas não tenho forças. Estou acabado. Ô Deus, como cheguei a isso? Parece não adiantar nada que eu faça, nada que eu tente... Tenho que esperar para que alguém apareça e me solte, ou me mate! Que desespero!
Tento manter a calma. Exalo o ar frio que abraça a noite. Olho para cima, e entre as folhagens, vejo Lua Cheia, dominando o céu negro, mas então, a leve brisa parece tomar vida. As folhas se agitam e tão rápido como começaram, elas param. Devo estar delirando a esse ponto, pois posso jurar que no meio desse vento, escuto uma respiração. Caçoo do meu próprio medo. E Novamente ouço esse sussurro. Tento falar algo, mas minha boca e garganta estão secas demais. Meu Deus e se eu morrer?
Tento novamente soltar meus braços, mas meu esforço é em vão. Já até posso sentir o sangue escorrendo em meus pulsos. Reencosto a cabeça no tronco da árvore, exausto por tentar, e em meio as minha já exaurida respiração, sinto um doce aroma. Era como se estivesse diante de um imenso vaso de rosas, regadas a absinto puro. Meu coração acelera,minha boca seca mais ainda. O vento varre meus pensamentos e diante de mim, como uma sombra, surge o vulto de uma mulher.  De onde estou só posso ver seus contornos, e ela é linda. Parece andar em minha direção, mas ao mesmo tempo, seus pés parecem nem tocar o solo. Tento mais uma vez pedir ajuda, mas dessa vez posso ver claramente suas mãos tocarem seus lábios e pedir sinal de silêncio. Ela se aproxima.
Sob a Lua Cheia, seus cabelos vermelhos parecem estar em chamas, como brasas de uma fogueira aconchegante. Seus olhos, de um castanho sem igual, parecem consumir minha alma. Sua boca é carnuda e parece estar molhada. Ela estava nua. Seus seios apontavam em minha direção, como se me acusassem de olhá-los. Seu quadril gingava sensualmente, enquanto suas coxas ora descobriam, ora cobriam seu sexo desnudo. Em poucos segundos, que mais pareciam uma eternidade par mim ela se aproximou. Com a ponta dos dedos frios, tocou meu pescoço, tateando cada parte dele. Sua pele era bem clara e parecia azulada com o luar. Ela ergueu-se nas pontas dos pés e veio em direção a minha boca, tocando meus lábios rachados com sua língua. Estremeci. Minha cabeça girava o ar, que tampouco me era agradável, parecia me faltar. Meus pensamentos a essa altura já estavam completamente desordenados, diante de tanta sensualidade.
Suas mãos pequenas agora desciam pelo meu tórax, parecendo procurar uma fraqueza a explorar, mas eu já estava totalmente fraco. Logo, estavam dentro de minha calça, me alisando. Distanciou-se de meu corpo por um instante e olhou nos meus olhos, me hipnotizando ainda mais. Como um animal a atacar sua presa, voltou-se para o meu corpo e a beijá-lo loucamente. Completamente tomado e domado, me entreguei de vez aos seus caprichos. Suas unhas marcavam minha pele, seus seios tocavam minha face enquanto cavalgava loucamenteem meu sexo. Seu corpo frio se agitava freneticamente, e ao atingir o ápice daquele ato, tocou os seios, como se não fosse deixar aquele imenso orgasmo fugir de seu corpo. Então, baixou a cabeça, respirando ofegantemente, com os cabelos cobrindo-lhe os olhos castanhos, que pareciam brilhar. Devagar, brincou com meu peito, subindo até meu rosto, contornando minha boca. E ainda em cima de mim, colocou a cabeça para trás e a voltou rapidamente, debruçando sobre meu pescoço.
Uma pontada, uma fagulha de dor, uma dilaceração da minha alma, foi o que senti quando seus dentes afiados rasgaram minha pele. Uma enxurrada de pensamentos varreu minha alma e em instantes, eu entendi tudo. Naquele momento eu sabia por que estava ali. A cada batida do meu coração, a cada sugada que aquela mulher dava em meu sangue, via que tudo, absolutamente tudo o que já havia vivido não tinha valido a pena. Meu sangue deixava meu corpo, enquanto aquele lindo ser o tomava. Minha ante vida esvaziava-se em seus lábios e aos poucos, meu coração desacelerava, minha visão se entorpecia, minha mente deteriorava em fragmentos de pensamentos e sensações. Eu estava morrendo... Mas aquela mulher, que agora parecia saciada, me olhava profundamente enquanto sentia a vida esvair-se de meu corpo. Mente limpa, a alma parecia sair do corpo, quando que com os próprios dentes, rasgou seu pulso deu-me de beber, o próprio sangue. Aquele líquido morno fez tremer minha língua e logo todo o meu corpo. Meus olhos queimaram como se estivessem sendo penetrados com mil agulhas. E tudo escureceu...

Como se estivesse saindo de um imenso lago negro, louco por ar, sai daquela escuridão. Estava vivo, livre das cordas que prendiam meus braços. Minha pele estava pálida, meus caninos pontiagudos. Eu podia ouvir tudo, podia sentir a terra respirando, o ar falando com os animais, à noite amando a Lua Cheia. Podia ver em detalhes, tudo o que uma mente humana é privada de realmente ver, e ao meu lado, estava à misteriosa mulher. Tentei lhe dizer algo, mas tão logo levantei a mão em sua direção, ela sumiu em meio às sombras. O vento sussurrou mais uma vez e no meio de suas vozes, a voz da mulher, como se estivesse dentro da minha mente, tocou o que restou da minha alma... “Você é meu para sempre...”

sábado, 5 de novembro de 2011

QUE HOMEM É ESSE?


Que homem é esse? Que homem é esse que não consegue se por de pé, que não dorme um sonho bom, que não consegue amar sem sentir dor? Quem é esse homem? Que não consegue arrancar satisfação da sua família, mas que consegue fazer sorrir as outras? De que lhe vale um fim de semana? Que dores são essas que percorrem seu corpo, lhe entregando antecipadamente a velhece... Quem é ele? Como pode sonhar tão alto, e ao mesmo tempo rastejar tão rente ao chão, sufocado por um sistema de ideais atolados na ignorância e não saber. Na cega compreenção e na tola sabedoria. Ai, se um dia pudesse se liberatar das regras ingratas da sociedade... Ai, se apenas uma vez, sua voz fosse ouvida pelos seus iguais... A se pelo menos ele tivesse voz. Salvos da sua angústia são aqueles que o compreende, mas são poucos. Salvos são aqueles que vivem seus sonhos e sangram seu sangue...

domingo, 22 de novembro de 2009

Preconceitos


O Homem, ser, animal racional, é dotado de consciência e pensa por si só. Forma suas opiniões e consegue antever coisas cotidianas em sua vida e existência. Essa antevisão lhe proporciona uma chance de obter experiência, conhecimento, conceito e razão sobre as coisas do mundo e do meio em que vive. Mas às vezes, essa ideia antecipada, essa espécie de sentido, antecede a verdadeira essência do que se conhece, do que se vê, tornando-a não dona de seus verdadeiros significados, mas sim, o quê queremos que seja. A essa ideia, esse conceito antecipado, sem conhecimento prévio ou atual, dessa coisa, objeto, pessoa, chamamos de preconceito.
O preconceito constitui uma forma de pré-avaliação, de algo, que não conhecemos ou ignoramos. Talvez, o preconceito mais forte, em sua forma, ocorra entre nós, seres humanos.
Vivemos em um mundo, que possui diversas classificações quanto a formação de diversos grupos, que por sua vez, formam a sociedade em que vivemos. Se analisarmos esse exemplo, desde o surgimento do homem, ou até de seus antepassados, podemos avaliar que o preconceito iniciou-se como uma forma de proteger nossos ideais, nosso povo, nossa cultura e costumes.

No mundo atual, essa luta, perdeu um pouco seu foco, e hoje em dia, o preconceito pode até ser aplicado, como forma de intolerância. Vemos constantemente, através dos meios de comunicação, ou através de outras pessoas, acontecimentos catastróficos ou não, surgirem devido a esse errôneo sentimento. São inúmeras as formas de preconceito, e esse número aumenta, conforme o ser humano tem a (in) consciência que se de deve pensar apenas em si próprio. Diante deste trágico quadro, podemos destacar os principais preconceitos:
Preconceito Racial (etnia) – talvez o mais cruel e sangrento de todos. Estende-se pelas diferenças entre as raças, mas as que mais sofrem com esse preconceito são os negros. Esse preconceito pode acontecer com um individuo que está fora do seu território de origem, ou por apenas destonar do tom de pele de outros indivíduos.
Preconceito Econômico – por todo o globo, imperam diversas ideologias, e entre elas, o capitalismo. Se por um lado, essa mesma ideologia trás benefícios aos diversos setores (industrial, financeiro, social, capital), por outro lado, segrega uma divisão de valores, que peneira a sociedade, onde quem possui menos é excluído ou até mesmo exonerado da sociedade.
Preconceito Religioso – O homem apoia-se em crenças e entidades superiores, na tentativa de encontrar uma explicação para a vida e a morte. Essas ideias, damos o nome de religião, que, dependendo da sua origem, seu “modus operandi”, sofre discriminação e preconceito por parte de outras religiões. Esse tipo de preconceito, essa guerra de ideias podem gerar conflitos gravíssimos, como o que sempre temos conhecimento, ocorre no Oriente Médio.
Preconceito Sexual – Se temos o homem, sexo masculino, como ser máximo da criação, independente de sua fonte de origem, os demais sexos, por assim dizer, sofre preconceito por não seguir essa regra de ser correto e seguir o que realmente é. Se considerarmos a Revolução Feminina, como uma forma da mulher de se libertar da sombra dos homens. É sábio dizer que elas, optaram em fazer essa revolução, por sofrerem preconceito, por parte dos homens. Atualmente, com o que podemos considerar “libertação sexual”, os homossexuais e outras vertentes, sofrem com esse mesmo tipo de preconceito, por não aceitarem suas verdadeiras origens. Vale lembrar, contudo, que alguns indivíduos pertencentes a esse grupo, não optaram pelo homossexualismo por pura opção, e sim, nasceram com esses genes.
Preconceito Social – Na verdade, esse tipo de preconceito, abrange vários fatores, e são acompanhados de outros, que parecem julgar alguém na sociedade. Essa descriminação, pode ser sortida, variando desde o modo de se vestir, penteado, falar, andar, de se comunicar, de se expressar... É um preconceito, que pode até mesmo invalidar as principais qualidades de um individuo.
Há ainda, muitas outras formas de preconceito, portanto, diante desse grave quadro, devemos lembrar de que, nós, seres humanos, devemos usar nossas capacidades mentais e sapientes, para aplicar o mesmo bem que queremos para nós, para nossos semelhantes. É claro que por esse mesmo motivo, a capacidade de pensar por si próprio, impeça o homem de sanar o problema do preconceito, Talvez, só tempo será capaz de apagar essa “mancha” em nossos sentimentos. Se isso ocorrer, a humanidade estará unificada, como uma única consciência, fazendo com que o preconceito deixe de existir.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

RELIGIÃO INSTANTÂNEA: RELIGIÃO


Dentro das ideologias que regem o mundo moderno, as que mais direcionam e encaminham a humanidade, estão dentro do contexto que se enquadra em religião. Desde os tempos mais remotos, os homens se sustentam em crenças, lendas e outras teorias sobre deuses e outros mitos. Essas religiões e crendices podem e contribuíram para a formação do homem moderno, formando seu caráter, modo de vida, postura social e etc. Tais religiões ditam regras e impõe limites que podem afetar o discernimento do conhecimento do homem e afetar também o seu papel na sociedade, isso, tanto positivamente quanto negativamente. È certo lembrar que tais regras e imposições podem “cegar” o seguidor quanto a sua evolução social, econômica, cultural e até política no meio em que vive. Por outro lado, se analisarmos algumas religiões de um ponto de vista superior, vemos constantemente pessoas que encabeçam essas ideologias, essas religiões, tira proveito de seus seguidores e ainda sim conseguem expandir suas idéias, quase que instantaneamente para grande parte da população da região que quer “dominar”. Conseguem, em pouco tempo, usando as principais ferramentas de comunicação, tais como rádio, TV, jornais e até internet, impor suas idéias e propagá-las, principalmente para as camadas mais baixas da sociedade. A saída, talvez, para impedir essa involução quanto ao ritmo que evolui a sociedade, fosse a disseminação da estrutura e formação do ser humano, por parte da sociedade, impedindo assim, a absorção por parte de pessoas e povos que não enxergam uma solução para seus problemas em seus próprios caráter, forças e vida.

IDEOLOGIA, EU QUERO UMA PRA VIVER...


A totalidade de vivência contemporânea obriga o homem, desde os tempos mais remotos a caçar uma forma de pensar, de viver, garantindo sua existência. Somos então frutos e filhos de diversas ideologias. Somos o resultado de uma equação gigantesca, onde os principais fatores matemáticos são compostos por forças maiores. Vivemos entre essas forças, que nos obrigam a seguir determinadas regras e dizeres, que se não são seguidas, nos oprimem de modo a nos tornar cidadãos sem identidade, sem posição financeira ou social. A ideologia que aplicamos a nós mesmo é a da pura sobrevivência, causada por um poder maior, o Estado. São poucos os que alcançam a totalidade de suas idéias e ideais, e conseguem escapar das mãos desse imenso poder. Cabe, portanto, a cada um de nós, idealizar nossas vidas, sem temer o poder e a própria ideologia pregada pelo Estado. Acreditar nessas idéias e pensamentos faz de nós seres humanos por completo, mas só dotados de inteligência, mas também de sentimentos movidos por lutas e coragem.