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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Escuridão





Escuridão. Meus olhos pesam, neles só enxergo a avermelhada escuridão da minha pele. Minha boca está seca. Meus lábios parecem explodir de tão secos... Quanto tempo estou aqui? Onde estou? Eu não sei... Eu simplesmente não sei... Meus braços estão amarrados. Minha pele sente o calor do Sol, mas ele está bem baixo. O vento parece sussurrar a própria morte em meus ouvidos. Estou descalço, sinto a grama entre meus dedos. Na nuca, sinto a casa dura da árvore onde estou preso. Preso? Preciso sair daqui! Preciso sair daqui!
O tempo parece caçoar da minha dor. A natureza ao meu redor ri da minha angustia. Aos poucos, bem devagar, consigo abrir os olhos. A luz azulada da lua cheia parece rasgar minhas pálpebras. Estou realmente preso a uma árvore. No horizonte, vejo as luzes da cidade bruxelando com a leve brisa noturna. Não há ninguém por perto. Não há nada por perto.
Respiro com dificuldade. Tento organizar meus pensamentos e descobrir como vim para aqui. Alias quem me prendeu aqui. Não sei que horas são e nem que dia que é. O tempo parece se arrastar aqui. Minha alma parece se arrastar aqui. Tento soltar meus braços, mas não tenho forças. Estou acabado. Ô Deus, como cheguei a isso? Parece não adiantar nada que eu faça, nada que eu tente... Tenho que esperar para que alguém apareça e me solte, ou me mate! Que desespero!
Tento manter a calma. Exalo o ar frio que abraça a noite. Olho para cima, e entre as folhagens, vejo Lua Cheia, dominando o céu negro, mas então, a leve brisa parece tomar vida. As folhas se agitam e tão rápido como começaram, elas param. Devo estar delirando a esse ponto, pois posso jurar que no meio desse vento, escuto uma respiração. Caçoo do meu próprio medo. E Novamente ouço esse sussurro. Tento falar algo, mas minha boca e garganta estão secas demais. Meu Deus e se eu morrer?
Tento novamente soltar meus braços, mas meu esforço é em vão. Já até posso sentir o sangue escorrendo em meus pulsos. Reencosto a cabeça no tronco da árvore, exausto por tentar, e em meio as minha já exaurida respiração, sinto um doce aroma. Era como se estivesse diante de um imenso vaso de rosas, regadas a absinto puro. Meu coração acelera,minha boca seca mais ainda. O vento varre meus pensamentos e diante de mim, como uma sombra, surge o vulto de uma mulher.  De onde estou só posso ver seus contornos, e ela é linda. Parece andar em minha direção, mas ao mesmo tempo, seus pés parecem nem tocar o solo. Tento mais uma vez pedir ajuda, mas dessa vez posso ver claramente suas mãos tocarem seus lábios e pedir sinal de silêncio. Ela se aproxima.
Sob a Lua Cheia, seus cabelos vermelhos parecem estar em chamas, como brasas de uma fogueira aconchegante. Seus olhos, de um castanho sem igual, parecem consumir minha alma. Sua boca é carnuda e parece estar molhada. Ela estava nua. Seus seios apontavam em minha direção, como se me acusassem de olhá-los. Seu quadril gingava sensualmente, enquanto suas coxas ora descobriam, ora cobriam seu sexo desnudo. Em poucos segundos, que mais pareciam uma eternidade par mim ela se aproximou. Com a ponta dos dedos frios, tocou meu pescoço, tateando cada parte dele. Sua pele era bem clara e parecia azulada com o luar. Ela ergueu-se nas pontas dos pés e veio em direção a minha boca, tocando meus lábios rachados com sua língua. Estremeci. Minha cabeça girava o ar, que tampouco me era agradável, parecia me faltar. Meus pensamentos a essa altura já estavam completamente desordenados, diante de tanta sensualidade.
Suas mãos pequenas agora desciam pelo meu tórax, parecendo procurar uma fraqueza a explorar, mas eu já estava totalmente fraco. Logo, estavam dentro de minha calça, me alisando. Distanciou-se de meu corpo por um instante e olhou nos meus olhos, me hipnotizando ainda mais. Como um animal a atacar sua presa, voltou-se para o meu corpo e a beijá-lo loucamente. Completamente tomado e domado, me entreguei de vez aos seus caprichos. Suas unhas marcavam minha pele, seus seios tocavam minha face enquanto cavalgava loucamenteem meu sexo. Seu corpo frio se agitava freneticamente, e ao atingir o ápice daquele ato, tocou os seios, como se não fosse deixar aquele imenso orgasmo fugir de seu corpo. Então, baixou a cabeça, respirando ofegantemente, com os cabelos cobrindo-lhe os olhos castanhos, que pareciam brilhar. Devagar, brincou com meu peito, subindo até meu rosto, contornando minha boca. E ainda em cima de mim, colocou a cabeça para trás e a voltou rapidamente, debruçando sobre meu pescoço.
Uma pontada, uma fagulha de dor, uma dilaceração da minha alma, foi o que senti quando seus dentes afiados rasgaram minha pele. Uma enxurrada de pensamentos varreu minha alma e em instantes, eu entendi tudo. Naquele momento eu sabia por que estava ali. A cada batida do meu coração, a cada sugada que aquela mulher dava em meu sangue, via que tudo, absolutamente tudo o que já havia vivido não tinha valido a pena. Meu sangue deixava meu corpo, enquanto aquele lindo ser o tomava. Minha ante vida esvaziava-se em seus lábios e aos poucos, meu coração desacelerava, minha visão se entorpecia, minha mente deteriorava em fragmentos de pensamentos e sensações. Eu estava morrendo... Mas aquela mulher, que agora parecia saciada, me olhava profundamente enquanto sentia a vida esvair-se de meu corpo. Mente limpa, a alma parecia sair do corpo, quando que com os próprios dentes, rasgou seu pulso deu-me de beber, o próprio sangue. Aquele líquido morno fez tremer minha língua e logo todo o meu corpo. Meus olhos queimaram como se estivessem sendo penetrados com mil agulhas. E tudo escureceu...

Como se estivesse saindo de um imenso lago negro, louco por ar, sai daquela escuridão. Estava vivo, livre das cordas que prendiam meus braços. Minha pele estava pálida, meus caninos pontiagudos. Eu podia ouvir tudo, podia sentir a terra respirando, o ar falando com os animais, à noite amando a Lua Cheia. Podia ver em detalhes, tudo o que uma mente humana é privada de realmente ver, e ao meu lado, estava à misteriosa mulher. Tentei lhe dizer algo, mas tão logo levantei a mão em sua direção, ela sumiu em meio às sombras. O vento sussurrou mais uma vez e no meio de suas vozes, a voz da mulher, como se estivesse dentro da minha mente, tocou o que restou da minha alma... “Você é meu para sempre...”

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